Você inquieto levanta do sofá. Vai até a janela, espia pela cortina. Vai até a cozinha, remexe nas cartelas de remédio. Vai até o banheiro, abre a torneira por um motivo qualquer. Vai até o quarto e se deita um pouco mas não é o bastante e depois de cinco minutos levanta-se e começa a andar pelo enorme apartamento de novo.
Diate de toda inquietação, eu observando do sofá, digo:
- Vem cá
Você se senta ao meu lado e eu continuo:
- O que aconteceu com você hen?
Espero sua resposta, mas te conhecendo como conheço sei que não vai ser uma conversa convencional onde duas pessoas falam, por isso continuo te dizendo tudo o que penso (mesmo sem você perguntar) enquanto você deitando a cabeça em meu colo com os olhos fechados indica que ouve tudo.
Enquanto falo sem parar tenho a plena consciência de que tu já sabes de tudo que falo, mas penso que se ouvires da minha boca, talvez faça mais sentido e tu finalmente desistas de me deixar louca com tantas más notícias.
- Tá ouvindo o que eu to falando?
Você acena que sim com a cabeça e eu continuo na esperança de que minhas palavras possam talvez entrar por um dos teus ouvidos e não irem embora pelo outro. Percebo que você não está dormindo apesar de estar imóvel porque vejo teus olhos mexendo rápido por baixo das pálpebras, como uma criança agitada. Meu olhar se detém nos teus cílios compridos e muito pretos, que me são absurdamente familiares apesar de todo esse tempo sem te ver.
Já deitados na cama não consigo pegar no sono porque simplesmente não consigo parar de me preocupar contigo. Se respiras muito rápido é porque não consegues dormir, se respira calmo demais tenho medo que estejas morto (exagero eu sei, mas foi isso que senti) e numa alternância entre cochilos e estados de vigília me pego te olhando dormindo, o clichê dos clichês. Começo a pensar em tudo que já vivemos até aqui e me pergunto se algum dia o peso de toda essa preocupação vai passar.
Quando finalmente pego no sono te ouço levantar, olhar a janela de novo e ao deitar de volta na cama, tu me beijas a orelha, me abraças e assim permanece. Pego no sono novamente...
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Você fuma seu cigarro despreocupadamente na entrada do metrô. Eu espero entediada porque acho fumar um hábito nojento mas você surpreende mais uma vez me abraçando e eu tão cheia do que dizer sempre, perco as palavras.
Sentados no vagão, eu voltando pra casa e você indo trabalhar, não posso deixar de pensar novamente na ironia da vida em nos unir tantas vezes e de maneiras tão diferentes. Te dou a mão mas ao fazer isso meus olhos se enchem de lágrimas, então viro o rosto porque não quero que você me veja chorando. Não mais uma vez, ainda que os motivos sejam completamente diferentes.
Quando chegamos na sua estação te beijo no rosto e digo em seu ouvido: chega de notícias ruins, tá?
Você concorda e sai andando pela plataforma, mas dessa vez meu coração está tranquilo pela primeira vez em muito tempo.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
entrar naquela casa sempre me traz fortíssimas lembranças de quando eu morava lá, talvez por isso eu tenha esse sentimento ambíguo de familiaridade misturado com um certo incômodo.
enquanto subo as escadas percebo que os degraus me parecem agora bem menores do que quando eu subia eles todo dia, mas ja tinha vindo aqui outras vezes, será que as coisas vão se tornando cada vez menor aos nossos olhos? acho que meu estranhamento aumenta proporcionalmente de acordo com minha idade, e eu me sinto velha.
Encontro conforto na decoração brega e extremamente portuguesa da minha vó; porta-retratos espalhados pela casa com fotos dos netos em todas as idades possíveis, bibelôs, cristais, lembrancinhas de casamento e muitas outras quinquilharias inúteis. abraço minha vó com saudade apesar de toda rigidez com a qual ela nos criou e deixando as surras na palma da mão e as sonecas obrigadas depois do almoço de lado, me sento com meus irmãos junto com ela para ver as centenas (talvez milhares) de fotos que ela tem guardadas. diversas vezes minha vó diz ao meu irmão: 'não és tu nessa foto, toninho?' olho a foto em preto e branco na qual aparece minha vó muitos anos mais jovem ao lado do meu avô, de bigode e com aquele sorriso de canto, e 4 crianças: 'não vó, aqui é o tio carlos...' ela já não se situa mais no tempo. percebo também que ela esquece muito nossos nomes e o das pessoas nas fotos, confundindo as fotos no museu do louvre com algum lugar em barcelona, e me sinto mais velha ainda, talvez mais que minha avó deteriorada.
subindo ao andar de cima, percebo que o tamanho dos azulejos preto-e-branco ficou pequeno demais para meus comportar meus dois pés, ou meus pés foram que ficara grandes demais pros azulejos? lembro de quando criança colocar ambos os pés e sobrar muito espaço num desses.
mas o que doeu mesmo foi subir no terraço e ver a vista maravilhosa de são paulo que aquele lugar tem, meu coração paulista dói e eu desejo morar lá ainda. além de claro, me sentir velha de novo.
abraço meu irmão e ela diz em meu ouvido enquanto lágrimas escorrem teimosamente pelo meu rosto: 'talvez tudo tenha sido melhor assim...' concordo e respiro fundo, aceitando uma verdade inegável: me tornei uma pessoa diferente por conta das circunstâncias...mas o que seria de nós hoje se tive\éssemos ficado lá? difícil dizer, é um labirinto de questionamentos, todos inúteis.
Na hora de ir embora minha vó se mostra mais lúcida do que nunca e diz: 'dá estes panos de prato que eu pintei pra tua mãe'. sorrio e concordo, sabendo que apesar de tudo, tem coisas que nunca mudam.
enquanto subo as escadas percebo que os degraus me parecem agora bem menores do que quando eu subia eles todo dia, mas ja tinha vindo aqui outras vezes, será que as coisas vão se tornando cada vez menor aos nossos olhos? acho que meu estranhamento aumenta proporcionalmente de acordo com minha idade, e eu me sinto velha.
Encontro conforto na decoração brega e extremamente portuguesa da minha vó; porta-retratos espalhados pela casa com fotos dos netos em todas as idades possíveis, bibelôs, cristais, lembrancinhas de casamento e muitas outras quinquilharias inúteis. abraço minha vó com saudade apesar de toda rigidez com a qual ela nos criou e deixando as surras na palma da mão e as sonecas obrigadas depois do almoço de lado, me sento com meus irmãos junto com ela para ver as centenas (talvez milhares) de fotos que ela tem guardadas. diversas vezes minha vó diz ao meu irmão: 'não és tu nessa foto, toninho?' olho a foto em preto e branco na qual aparece minha vó muitos anos mais jovem ao lado do meu avô, de bigode e com aquele sorriso de canto, e 4 crianças: 'não vó, aqui é o tio carlos...' ela já não se situa mais no tempo. percebo também que ela esquece muito nossos nomes e o das pessoas nas fotos, confundindo as fotos no museu do louvre com algum lugar em barcelona, e me sinto mais velha ainda, talvez mais que minha avó deteriorada.
subindo ao andar de cima, percebo que o tamanho dos azulejos preto-e-branco ficou pequeno demais para meus comportar meus dois pés, ou meus pés foram que ficara grandes demais pros azulejos? lembro de quando criança colocar ambos os pés e sobrar muito espaço num desses.
mas o que doeu mesmo foi subir no terraço e ver a vista maravilhosa de são paulo que aquele lugar tem, meu coração paulista dói e eu desejo morar lá ainda. além de claro, me sentir velha de novo.
abraço meu irmão e ela diz em meu ouvido enquanto lágrimas escorrem teimosamente pelo meu rosto: 'talvez tudo tenha sido melhor assim...' concordo e respiro fundo, aceitando uma verdade inegável: me tornei uma pessoa diferente por conta das circunstâncias...mas o que seria de nós hoje se tive\éssemos ficado lá? difícil dizer, é um labirinto de questionamentos, todos inúteis.
Na hora de ir embora minha vó se mostra mais lúcida do que nunca e diz: 'dá estes panos de prato que eu pintei pra tua mãe'. sorrio e concordo, sabendo que apesar de tudo, tem coisas que nunca mudam.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Prelúdio
Sinto um afundar em meu estômago como se tivesse levado um soco e meu coração se aperta mais uma vez.
É como se todo sofrimento que passei enquanto estávamos juntos não tivesse sido o suficiente, e assim você segue me nocauteando, mesmo à distância. Não era amor verdadeiro? Então toma!
Me sinto culpada por que é como se eu tivesse falhado com você, (na minha cabeça) de novo. Mais uma vez não consegui evitar que algo ruim te acontecesse, mais uma vez você precisa de ajuda, só que dessa vez eu não estou ao seu lado..
Lágrimas me brotam aos olhos e eu continuo obrigando todo e cada pedaço de mim a pensar numa maneira de evitar que coisas más aconteçam àqueles que eu amo. Não consigo pensar em nada e me desespero, mesmo sabendo que temos karmas a serem cumpridos.
Meu amor é verdadeiro, e não vem de hoje. Lembro ainda daquele reencontro na estação de metrô; você atrasado alguns minutos e eu morrendo de vergonha, pensando que você não iria aparecer e achando que todas aquelas pessoas indo e vindo iam rir de mim, uma menina esperando alguém que nunca iria chegar. Você chegou batendo com o skate no meu pé e eu tomei um puta susto, senti uma sensação que na hora pensei ser alívio, mas me conhecendo como conheço penso que foi um prelúdio ao furacão de sentimentos que iria acabar por me engolir no final. Naquele mesmo dia, eu tão controladora e tão dona de mim mesma já sabia que havia algo de errado quando você sorriu, e ao reconhecer em você a criança pela qual me apaixonei aos 10 anos, meu coração, sem aviso nenhum, perdeu o compasso por meio segundo.
Depois disso meu coração continuou errando o ritmo e parando de bater em certos momentos, as vezes por mais de meio segundo. A primeira vez que nos beijamos depois de 7 anos, em que você teve que me beijar porque se não eu ia continuar falando e falando, o jeito como você ficou assustado quando me viu surtada pela primeira vez, a primeira vez em que você disse "eu te amo", o dia em que você me apresentou ao seus pais e sua mãe me achou linda...foram muitas as vezes em que tive a sensação de estar no lugar certo com a pessoa certa, por isso gosto de me torturar pensando no que eu poderia de ter feito para que tudo fosse diferente hoje, ainda que eu saiba que isso não me leva a nada.
Não sei porque escrevo tudo isso. Talvez porque eu tenha saudade, talvez porque eu ainda te ame, mas com uma certeza: quero que você volte logo.
sábado, 7 de abril de 2012
Fecho e reabro o blog sem ter a mínima certeza do que quero. Você veio, outros vieram e foram embora , mas não posso dizer que você foi também. Fico me lembrando de todos os textos que escrevi pensando em você e me acho burra, por num acesso de raiva ter deletado o blog antigo todinho.
Você doeu mais que todos mas foi o que mais me fez feliz também. Com migalhas, é verdade...mas eu fico pensando que talvez tenham ido embora com você todos os meus bons textos. Será?
Meus pensamentos vão mais além e penso no mocinho completamente inusitado (e casado) que me fez feliz horrores (também com migalhas) mas depois de um tempo percebi que eu merecia mais. Penso no bom moço da empresa que me trata maravilhosamente bem mas que resolve, de alguma forma, dizer despreocupadamente que é comprometido e que tem um filho pequeno no meio da conversa. Penso no outro de olhos azuis que promete me fazer feliz se eu der uma chance. Penso na criança de 17 anos que me adora e diz que me quer. Ah se ele tivesse idéia... Penso no menino que mora há muitos e muitos quilômetros de distância mas que me prometeu filhos queimados de sol e uma casa na praia, cadê?
Penso no colega bonitinho de sala que tem dentes perfeitos e me chama de 'Lê', penso no bom moço de família que tem absolutamente tudo pra me fazer ficar doida, mas ainda sim me sinto sozinha. Sozinha, sem vontades de fazer dar certo, sem disposição pra me atirar sem medo e depois ter que juntar todos os caquinhos. cacete de herança maldita!
Você doeu mais que todos mas foi o que mais me fez feliz também. Com migalhas, é verdade...mas eu fico pensando que talvez tenham ido embora com você todos os meus bons textos. Será?
Meus pensamentos vão mais além e penso no mocinho completamente inusitado (e casado) que me fez feliz horrores (também com migalhas) mas depois de um tempo percebi que eu merecia mais. Penso no bom moço da empresa que me trata maravilhosamente bem mas que resolve, de alguma forma, dizer despreocupadamente que é comprometido e que tem um filho pequeno no meio da conversa. Penso no outro de olhos azuis que promete me fazer feliz se eu der uma chance. Penso na criança de 17 anos que me adora e diz que me quer. Ah se ele tivesse idéia... Penso no menino que mora há muitos e muitos quilômetros de distância mas que me prometeu filhos queimados de sol e uma casa na praia, cadê?
Penso no colega bonitinho de sala que tem dentes perfeitos e me chama de 'Lê', penso no bom moço de família que tem absolutamente tudo pra me fazer ficar doida, mas ainda sim me sinto sozinha. Sozinha, sem vontades de fazer dar certo, sem disposição pra me atirar sem medo e depois ter que juntar todos os caquinhos. cacete de herança maldita!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Seus olhos pintados com delineador me encaravam quase que arregalados e transparecendo toda doçura que ja lhe é peculiar.Absorvia minhas palavras etílicas concordando com o discurso e esperava sua vez de falar também. Ah, como ficamos convictos de nossas ideologias depois de algumas cervejas...
Vezenquando seu rosto se demorava 1 ou 2 segundos numa expressão de dúvida diante de algum dizer meu tentando adivinhar se eu estava realmente falando sério; para instantes depois, reconhecendo uma piada ou gracinha qualquer, abrir o sorriso mais lindo do mundo.
Mais tarde, voltando pra casa no metrô, tu deitas a cabeça em meu ombro. Meu coração se agita e eu tenho a certeza de que a felicidade só pode ser isso.E sinto também uma urgência enorme de dizer, embora minha boca pareça estar travada, que sim, te amo por completo depois de todos esses anos, que tenho um orgulho enorme da mulher que te tornastes e que quando sinto seu cheiro uma sensação de conforto me invade. E eu tenho a certeza que jamais estarei sozinha
Vezenquando seu rosto se demorava 1 ou 2 segundos numa expressão de dúvida diante de algum dizer meu tentando adivinhar se eu estava realmente falando sério; para instantes depois, reconhecendo uma piada ou gracinha qualquer, abrir o sorriso mais lindo do mundo.
Mais tarde, voltando pra casa no metrô, tu deitas a cabeça em meu ombro. Meu coração se agita e eu tenho a certeza de que a felicidade só pode ser isso.E sinto também uma urgência enorme de dizer, embora minha boca pareça estar travada, que sim, te amo por completo depois de todos esses anos, que tenho um orgulho enorme da mulher que te tornastes e que quando sinto seu cheiro uma sensação de conforto me invade. E eu tenho a certeza que jamais estarei sozinha
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