quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lembro ainda com detalhes nítidos de uma noite que passamos juntos, na qual você dormia seu sono profundo e despreocupado, enquanto eu mais acordada do que nunca, reparava na sua barba crescendo no maxilares e me ocupava de pedir a deus que você pudesse ficar, pensando que tudo que eu queria era cuidar de você.
O tempo passou, e agora eu me pego pedindo à Iemanjá que te coloque num barquinho pra longe e que leve junto com você tudo que você trouxe: suas músicas, sua risada, suas manias chatas e esse sentimento que nasceu aqui mesmo eu tentando evitar tanto, e que agora me parece apenas um apêndice estourado, me fazendo sofrer. Iemanjá é mãe sábia, e a solução veio rápida: antes que eu percebesse você já embarcava num avião pra um lugar a muitos e muitos quilômetros do meu alcance
A pergunta que eu ainda não consegui ter resposta é: se você foi de avião, que é muito mais rápido que um barco, meus sentimentos foram embora mais rápido também? Quisera eu.
Em cinco dias você volta. Saberei

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